
Vás como sombra e orvalho que és, se entregando no desabrochar da intuição o sorriso de uma rosa, maligna condição quando acreditou no conto proferido. Toma, põe a batida a calar, transbordando ainda os restos do faltante erro. Mata enfim o brilho da lembrança, alguns pesares passados, pálidas mãos minhas.
-Paloma L.

Ponha um pingo d’água a cair sobre sua vista, veja passar. Apesar do mínimo detalhe se sobressair no azul daqueles que não o vêm, a pequenez virtuosa perpetua no castanho ou amarelo dos nossos fins.
A euforia é tua boca, tentada é a minha. Contudo, além da poeira recaída, me volve a ti mais que boca, olhos, sonhos.
-Paloma L.

(…) Entretanto, maliciosa alma batia mais forte e a vida mais ainda.
-Paloma L.

Bastante saber iminente, cujo os raios o provém. Destrincho um fio de lembrança que se confronta com o dia frio e o capuccino numa mesa, apenas esperando outras memórias inexistentes. A lógica não prosseguiu no tempo, mas é assim que penso entender.
-Paloma L.

Antes fui o algoz indigno da lei, hoje sou a voz que clama ordens. O preto se sobressai sob o branco, regendo o papel por inteiro, onde se quer pingos claros sai da tinta escura. Palavras encontradas na exaltação ao perdido, faces emanadas do sangue parado e lágrimas intactas descrevem o caos.
-Paloma L.

Conduzida por um frio que me seduz ao abismo, aqui eu estou. Mente atormentada pelos sonhos persegue o pesadelo, porque assim que a lágrima volver para o chão minhas sobras guiarão as sombras para longe de mim. Sozinha numa rua deserta com o coração na mão e as palavras em uma caneta.
-Paloma L.

Venha adormecer frente ao riso incansável que nos envolve, na singela brandura de uma paixão. Interrompa seu eu e venha ser nós, afim de lamentar o tempo, mas esquecer das horas. Seja meu.
-Paloma L.

Pensar que as coisas são mais simples que uma palavra no meio das ideias mortas de um texto que não entendem, é crer que apenas de tudo, o mais simples tem o mais complexo valor.
-Paloma L.

Se enclausurar aquele pássaro que segue rumo ao sul, a corrosiva mentira encaminhará seus pés à loucura. Ser tirano não remete uma postura irreal, é refletir sobre suas palavras erronias.
-Paloma L.

Constatei quando só estava. Aquele obscuro derradeiro guiou-a ao prefácio de uma obra sem autoria, apenas o prelúdio da controversa de sua mente sã. Avisei-lhe do conspícuo espelho que revitalizou seu grito contrito, emanado da goela seca. A mesmice te entorpeceu e afagou teus anseios, contudo, ainda a revigora com o intuito de adormecer tuas almas perdidas.
Se fores recorrer ao frio, onde cortes transluzem os seguimentos de seus risos, seu momento estagnará. O infinito te aguarda em qualquer segundo, assim como quando as asas da borboleta se movimentam.
-Paloma L.

Um dia você idealiza o complemento da sua vida, observa que a subsequência dos fatos busca um paralelo com você. Seria tão sacro a penumbra da tarde não reger o coração virgem, entretanto, os pesares existem para serem purificados através dos ombros de outro alguém.
-Paloma L.

Questiono essa ideologia maciça que me induz a crer nas estrelas do céu, respirar a controversa e a certeza em harmonia. Os pés não se sentem seguros ao passar por paradoxos irreais. ”Não se pode desconsiderar os eixos e seguir apenas as próprias coordenadas”, sussurraram.
Quando vejo a chuva em sua magnitude sinto-me que não a vi. Presente, passado, futuro. São os tempos manipulados. Tudo se unifica com a verdade absoluta. Mas, se senti só agora a chuva me tocar, para todos ela já existiu.
-Paloma L.

O sangue irradiou através do exterior, encurralou meus castanhos olhos, fez cor às minhas mãos. Apanhei o esquecido momento como um papel que na água se entrega lentamente, buscando a eficaz. Mas nada, absolutamente nada me intrigava.
Cheiros, vozes, sussurros. Jazia em uma superfície que desconheço, envolta de lágrimas e risos de alegria, os meus risos. Não compreendia como a ferida podia ser maior e mais dolorosa que o sonhar, respirar. E, apenas de sentir o fel das minhas células lutando por mim, apenas silenciei. Já era capaz de ver o horizonte, não sentia a dor.
-Paloma L.

E esta nostalgia perpétua de ser memorável dentro de ti, palpável em suas mãos, adocicada pelos teus lábios. O trem se foi ligeiro, embalado, levo-o de mim, não integro. Os pedaços das pérolas que me entregaste nunca houveram de se difundir, pois são eu e tu em um só.
-Paloma L.
